
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na sexta-feira (1º) que o governo brasileiro está empenhado em fortalecer laços de cooperação com os Estados Unidos, mesmo diante do tarifaço anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que eleva para até 50% as tarifas sobre produtos brasileiros a partir de 7 de agosto.
Haddad destacou que o Brasil não se alinha automaticamente a nenhuma potência mundial e que há amplo espaço para parcerias bilaterais, desde que os acordos sejam vantajosos para ambas as nações.
“Temos que mostrar que o Brasil não cai no colo de A, B ou C. O Brasil é grande demais. Podemos estreitar os laços, desde que seja bom para os dois lados”, afirmou o ministro. “Concorrência existe, como nos grãos e carnes, mas há também complementaridades”.
Segundo ele, os Estados Unidos têm participado pouco de licitações no Brasil, especialmente em infraestrutura, setor que, segundo o ministro, está em expansão e tem gerado emprego e renda. “Estamos abertos à participação deles na nossa economia. Não tem problema”, completou.
Plano de contingência pode sair na próxima semana
Haddad informou que o governo trabalha nos detalhes de um plano de contingência para mitigar os efeitos do aumento das tarifas sobre a indústria e a agricultura nacionais. A expectativa é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncie as medidas já na próxima semana.
“Estamos encaminhando as primeiras medidas para o Palácio do Planalto, junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin. A partir da decisão do presidente, poderemos tomar ações de proteção aos setores impactados”, explicou o ministro.
O plano está sendo ajustado com base em dados fornecidos por sindicatos de trabalhadores, patronais e pela Casa Civil. De acordo com Haddad, algumas empresas afetadas podem não precisar de auxílio emergencial, pois têm capacidade de redirecionar a produção para o mercado interno, que está aquecido.
“A demanda por alimentos está crescendo no Brasil, a renda está subindo e o desemprego está na mínima histórica”, disse.
Apoio a estados e compras públicas
Como parte das ações para absorver o impacto das tarifas, Haddad mencionou o apoio a estados que buscam fortalecer políticas públicas. Ele citou, por exemplo, um encontro com o governador do Ceará, que solicitou apoio para a aquisição de gêneros alimentícios destinados à merenda escolar, e pode propor uma mudança legislativa para viabilizar a compra de forma acelerada.
Meta fiscal será mantida
O ministro também foi questionado se os recursos para o plano de contingência poderiam extrapolar a meta fiscal. Haddad garantiu que essa hipótese está descartada neste momento.
“Nossa proposta não exige isso. Ainda que o TCU tenha compreendido que seria possível em caso de necessidade, conseguimos operar dentro do marco fiscal atual”, afirmou.
Por fim, Haddad ressaltou que o governo seguirá atuando por meio do Itamaraty e canais diplomáticos para esclarecer informações distorcidas sobre o Brasil e evitar danos comerciais maiores.
“Há muita desinformação a respeito do funcionamento da democracia brasileira. Vamos continuar trabalhando para atenuar os efeitos dessa decisão norte-americana”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil