
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, voltou atrás e decidiu negar a visita de um assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso. A nova decisão foi tomada após manifestação do Ministério das Relações Exteriores apontando possível interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.
O pedido havia sido feito pela defesa de Bolsonaro para que o assessor do governo americano Darren Beattie pudesse visitá-lo na prisão. Inicialmente, Moraes havia autorizado o encontro, previsto para o dia 18 de março, mas voltou atrás após solicitar informações ao Itamaraty.
Em documento enviado ao STF, o Ministério das Relações Exteriores, comandado por Mauro Vieira, informou que não havia compromisso diplomático oficial envolvendo Beattie durante a viagem ao Brasil. Segundo o órgão, o pedido de visto apresentado pelo governo americano não mencionava encontros ou visitas fora da agenda oficial.
Na nova decisão, Moraes afirmou que a visita não estava inserida no contexto diplomático que justificou a concessão do visto ao assessor estrangeiro e também não havia sido comunicada previamente às autoridades brasileiras. O ministro destacou ainda que a situação poderia levar à reavaliação do visto concedido ao visitante.
O Itamaraty também alertou que a visita de um representante de governo estrangeiro a um ex-presidente brasileiro em ano eleitoral poderia caracterizar “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
Desde janeiro, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de 2022 e está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. As visitas ao ex-presidente precisam de autorização judicial do relator do caso no STF, Alexandre de Moraes.