
Ícone da esquerda latino-americana, Mujica foi guerrilheiro, prisioneiro político e líder popular; ele enfrentava uma doença crônica e estava em cuidados paliativos
José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai, morreu nesta terça-feira (13), aos 89 anos. A informação foi confirmada pelo atual presidente do país, Yamandú Orsi, que prestou homenagem ao líder e ressaltou sua importância histórica e política. Mujica enfrentava um quadro de saúde considerado “duplamente complexo”, devido a uma doença autoimune que o acompanhava há mais de duas décadas e comprometia os rins.
Na segunda-feira (12), a ex-senadora e ex-vice-presidente Lucía Topolansky, esposa de Mujica, já havia informado que ele se encontrava em estado terminal, sob cuidados paliativos.
Pepe Mujica foi presidente do Uruguai entre 2010 e 2015, período marcado por um estilo de vida austero e políticas progressistas que lhe renderam reconhecimento internacional. Conhecido como “o presidente mais pobre do mundo”, Mujica vivia em uma chácara nos arredores de Montevidéu e doava a maior parte de seu salário a causas sociais.
Nascido em 20 de maio de 1935, em Montevidéu, Mujica teve uma trajetória marcada pelo ativismo político. Nos anos 1960, integrou o grupo guerrilheiro Tupamaros, responsável por ações como assaltos a bancos com o objetivo de redistribuir alimentos e dinheiro para os mais pobres. Com a repressão militar, foi ferido em confrontos com a polícia, preso diversas vezes e passou mais de uma década encarcerado, boa parte sob isolamento.
Com o retorno da democracia, Mujica foi anistiado e iniciou uma carreira política institucional. Foi deputado, senador, ministro da Agricultura e, por fim, presidente da República, sempre pelo partido Frente Ampla.
O ex-presidente deixa um legado de simplicidade, firmeza ideológica e compromisso com a justiça social, sendo uma das figuras mais respeitadas da política latino-americana contemporânea.