A campanha nacional de vacinação contra a gripe começou nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. A meta do Ministério da Saúde é imunizar ao menos 90% do público-alvo, formado prioritariamente por idosos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e puérperas.
A orientação é que os grupos prioritários busquem o quanto antes uma unidade de saúde para receber o imunizante, uma vez que o vírus influenza circula com maior intensidade durante o outono e o inverno nessas regiões. No segundo semestre, a vacinação será direcionada à Região Norte, para coincidir com o chamado “inverno amazônico” — período chuvoso que ocorre entre dezembro e maio.
Desinformação como obstáculo à cobertura vacinal
Apesar da ampla mobilização, autoridades de saúde alertam para a proliferação de fake news que colocam em risco a adesão à campanha. A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, ressalta que a desinformação tem impacto direto na saúde da população.
“Informação falsa, às vezes, é mais letal do que a própria doença. Algumas pessoas deixam de se vacinar por acreditarem em boatos e permanecem vulneráveis, podendo até morrer por isso”, afirma.
Especialista esclarece os principais mitos sobre a vacina
A seguir, a presidente da SBIm desmente as fake news mais recorrentes sobre a vacina da gripe:
- “A vacina pode causar gripe”
Falso: A vacina é feita com o vírus inativado, ou seja, morto. Não há como ela provocar a doença. Sintomas após a vacinação podem estar ligados a outros vírus respiratórios, como rinovírus, metapneumovírus, ou mesmo a COVID-19. Além disso, a proteção leva ao menos duas semanas para se estabelecer. - “A vacina não é segura para idosos”
Falso: A vacina é extremamente segura e indicada justamente para os grupos mais vulneráveis, como idosos e imunocomprometidos. Por conter vírus inativado, não oferece risco de infecção e pode ser aplicada mesmo em pacientes que passaram por transplantes. - “A vacina não impede o contágio, então não funciona”
Falso: A principal função da vacina é evitar as formas graves da doença e reduzir mortes e internações. Mesmo que não elimine completamente o risco de infecção, ela é essencial para a proteção da saúde pública. - “Gripe não é grave, não há necessidade de se vacinar”
Falso: Embora muitos casos de gripe sejam leves, a doença pode levar a complicações sérias, especialmente em idosos, pessoas com comorbidades e crianças pequenas. A gripe pode causar pneumonia e agravar doenças crônicas como diabetes e doenças cardíacas. - “Vacinas da gripe e da COVID estão sendo misturadas”
Falso: As vacinas são produzidas de forma separada, com fórmulas específicas aprovadas por órgãos regulatórios. Não existe qualquer prática de mistura entre vacinas em unidades de saúde.
Vacina atualizada anualmente
A vacina contra a gripe é reformulada todos os anos para combater as cepas do vírus influenza com maior circulação. Em 2025, o imunizante protege contra três tipos: Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B.
Grupos que devem se vacinar
Além dos idosos, gestantes e crianças, também integram o público-alvo da campanha:
- Puérperas
- Povos indígenas
- Pessoas com deficiência permanente
- Pessoas com doenças crônicas e condições clínicas especiais
- Pessoas em situação de rua
- População privada de liberdade
- Profissionais da saúde, educação, segurança pública, salvamento, transporte coletivo, transporte de cargas, portuários e das Forças Armadas.
A vacinação é gratuita e está disponível nas unidades básicas de saúde dos municípios. O Ministério da Saúde reforça a importância de todos os grupos elegíveis procurarem a imunização o quanto antes.