O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), usou as redes sociais nos últimos dias para se posicionar contra as ocupações de terras promovidas pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no estado durante o chamado “abril vermelho”. Em tom firme, ele anunciou a criação de um movimento simbólico chamado “abril amarelo”, como resposta direta às ações do MST.
“Aqui, invasor é retirado em 24 horas. A Justiça autoriza rápido e a nossa polícia põe para fora. Quer terra? Conquista com o suor do seu rosto”, disse o governador. Ele ainda declarou que Santa Catarina não vai tolerar ocupações ilegais e que está “acampando antes” do MST nas áreas mais visadas.
Na publicação, Jorginho destacou a criação de um grupo batizado de “Movimento dos Trabalhadores Com Terra (MCT)”, no Oeste catarinense. Segundo ele, esse movimento seria uma reação organizada de proprietários rurais que “dominam seu território” para evitar invasões. “Se eles vierem, o bambu vai roncar”, afirmou.
A área citada por Jorginho, localizada no município de Zortéa, no Meio-Oeste do estado, foi apontada como foco de tensão. No entanto, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) esclareceu, em nota oficial, que o terreno de 812 hectares foi incorporado legalmente ao patrimônio da União por meio de adjudicação — um procedimento judicial utilizado para quitar dívidas — e será destinado ao assentamento de cerca de 55 famílias.
Segundo o Incra, o imóvel será parte do Projeto de Assentamento Leonel Brizola. “A propriedade pertence legalmente ao Incra e foi obtida por processo judicial e administrativo. A imissão na posse permitirá sanar a vulnerabilidade social de famílias que aguardam há anos por uma solução de moradia e produção rural”, informou o órgão.
A tensão entre o governo estadual e o movimento social reacende o debate sobre reforma agrária e uso da terra em Santa Catarina, especialmente em regiões com histórico de conflito fundiário.
*Com informações do Portal ND+