Lideranças do Centrão avaliam que aprovar a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro antes que todas as ações sejam comprovadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) seria inócuo. A preocupação é que partidos contrários à medida possam judicializar a questão, levando o STF a dar a palavra final sobre o destino dos condenados.
Segundo o presidente dos Republicanos, Marcos Pereira, que também é jurista, a anistia não deveria ser aprovada enquanto o Supremo não conclui a análise de todos os processos relacionados aos ataques antidemocráticos. Essa visão é compartilhada por outras lideranças do Centrão, que consideram que o projeto é essencialmente uma ferramenta usada por Jair Bolsonaro para criticar o STF e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e não uma tentativa real de libertar os presos.
Apesar disso, existe um consenso entre presidentes dos partidos do bloco de que algumas penas aplicadas foram exageradas. Há condenados que receberam sentenças de até 17 anos de prisão, o que é considerado desproporcional por parte dos líderes partidários.
Durante manifestação no último domingo (16), em Copacabana, no Rio de Janeiro, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, afirmou que pedirá urgência na tramitação do projeto de anistia na Câmara. Entretanto, para lideranças do Centrão, a principal bandeira de Bolsonaro é vista como um “jogo de cena” com o objetivo de alimentar seu discurso contra o STF, com foco especial no ministro Alexandre de Moraes, e contra o governo Lula.
